Eu me integrei a ti, ó natureza
Na mansidão do tempo que caminha
Tua cadência da vida agora é minha
Em magistral e íntima certeza...
Eu sou como a estrela que cintila
Na grandiosa distância do Universo
Eu sou a inspiração sutil do verso
Que estraçalha a alma sem ferí-la...
Eu sou tal qual a ave que gorjeia
Em cântico estridente de alegria
Eu sinto o cristalino da água fria
Que vem na espuma mergulhar na areia
Eu sinto a bruma doce das cascatas
Que explodem sobre as pedras seu fragor
Eu sinto dentro de mim todo esplendor
Do verde rutilante dessas matas...
Eu desço alegre pelas corredeiras
Num desabar de pintos e matizes
Eu me agaro também pelas raízes
Das árvores que se banham nas ribeiras...
Eu sou como a gaivota que flutua
No espaço azul dos ventos permanentes
Eu adormeço também tão docemente
Como adormece, à noite, a luz da Lua...
Eu sou como a paisagem que derrama
Todas as cores do Céu no entardecer
Em mim mora a palavra que declama
O verso da saudade a reviver...
A na grandeza azul do firmamento
Cujo o mistério o espaço não desvenda
Eu espero que minha alma se distenda
Até tornar eterno este momento...
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