segunda-feira, 8 de novembro de 2010

NASCITURNO

À Ana e ao Michael Rogers

Do verdadeiro amor nascem as flores
Como símbolos de afeto em expressão
Dizendo coisas sobre o coração
Que se transformam em pétalas e cores

Depois das flores os frutos vão surgindo
Em bela e terna realização
E o fato irreversível e advindo
É o milagre sútil da criação

Portanto, tenham muita conciência
Desta sadia e sábia convivência
Onde há carinho, amor e aconchego

E que na curtição desta ventura
Pela chegada feliz da criatura
Desçam as bênçãos de Deus sobre o Diego...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

DEO GRATIAS

Muito obrigado, meu Deus, por estas graças
Que derramaste sobre o coração.
Transformo em flores toda emoção
Mesmo que venha em forma de desgraças.

Ser-se poeta é bem aventurança
Que só o Criador pode outorgar
Bendita seja aura de bonança
Que faz a tempestade serenar

Houve um poeta que disse por aí
Frase memorável por dizê-la
"É preciso ter um caos dentro de si
Para fazer nascer uma estrela"...

Ás vezes me pergunto docemente
Que terei feito para merecer
Tão grande inspiração que vem silente
Nas noites em que passo a espairecer.

És tu acaso, Deus quem me ispiras?
Fluentes impressões de tal beleza!
A mim está cativando esta certeza
Que espero a outro poeta não transfiras.

A sensação de amor e de vertigem
Transcende de tal forma a existência
Que a única e profunda conseqüência
É que é divina mesmo a sua origem

Dize-me Deus, qual o meu destino
Que devo fazer por merecê-lo
Fazer um verso apenas por fazê-lo
É muito pouco para um dom divino

Eu tive um mestre em minha juventude
Que me dissera haveres me doado
Este pendor tão belo e abençoado

E desta forma, Deus, tenho descrito
As doces expressões que me comovem
descem dos céus as chuvas que me chovem
Em cânticos sutis de tom contrito

Inundações contínuas de ternura
Descem fluindo em rios cristalinos
Poemas, versos, cançonetas, hinos
Todos derramo em hautos de ventura

O versejar a mim é o bastante
Para trazer-me esta felicidade
Contudo sinto uma necessidade
De descobrir porque sou versejante

Aguardo, pois, meu Deus, que porventura,
Se algum dia assim puder ser feito
Retires estas flores do meu peito
E cerres esta frágil tessitura

Porque meu coração, qual passarinho
Tem tanto esvoaçado no infinito...
O firmamento azul é tão bonito...
Que ele á capaz de não tornar ao ninho...

O CÉU DE MANHÃ - MANHÃ DE CÉU

O céu, me parece, que é feito de pássaros,
De arvores frondosas e bem verdejantes,
De cantos, chilreios a todos instantes
De uma alegria inundada de paz.

O céu, me parece, que é feito de cores
De azul, de amarelo, de verde, lilás
E o seu colorido vibrante nos traz
A imagem silente do belo nas flores.

O céu, me parece, que é feito de sons
De todas as aves, insetos, besouros
Que vivem escondidos bordados de ouro
Cantando a beleza de sons naturais.

O céu me parece, que é feito de brisas
De haustos de flores de tons matinais
De ventos constantes por sobre os trigais
Que mexem com as folhas totais, imprecisas.

O céu me parece, que é feito de aves
Que tal qual crianças adoram brincar
Que voam alegres no Céu a cantar
Infensos à vida em gritos de amores

O céu me parece, que é uma alegria permanente
De pureza musical e eterna
Onde tudo é paz e permanência terna
E o canto das cigarras é a orquestra oficial da manhãs
Em estridente presença, sonora, porém
Grata ao coração

O céu me parece, que é uma ininterrupta sensação
De felicidade
Com cheiro de flores, amor de verdade
Cânticos da natureza, belezas, fulgores
Ouro e azul eternos no firmamento

Tenho a impressão de que o Céu
É tudo isto que Deus me fez
Sentir e assistir neste momento...


Janeiro, 4, 1981