Estava o poeta a divagar distante
Em sonhos sobre a vida e a existência
Era-lhe grata aquela experiência
De devaneio incerto e intinerante
É a poesia arte dos sentidos
Que traça fina e hábil tessitura
Vivendo a loucania ou a desventura
Em cantos sútilmente percebidos
E o poeta de alma mensageira
Percebe então que transcendeu à vida
Alçou um vôo na área desmedida
Dá dimensão eterna e sem fronteira
Refluiu dentro do ser um estremeço
De dúvida espanto e ansiedade
É o absoluto? E a relatividade?
Esta visão tamanha, eu não conheço...
Esvai-se-lhe alma pelo espaço
Como a refurgiar-se da incerteza
A inopinada sensação é presa,
Que busca um ponto,um bálsamo,um regaço
E eis que então inopinadamente
Sua alma se aprofunda intensamente
Num mergulho de paz interior
Não há mais sensações nada mais sente
Tudo se transforma inteiramente
Em um silêncio imenso e acolhedor
Estranhamente para qualquer vida
Não há espaço ou tempo,nem medida
Não existe leste,oeste,sul ou norte
A vibração que existe é força nova
Que lhe chegou qual derradeira prova
De ser maior que a vida e a própria morte...
Março - 1985
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