Analizando bem, eis que me sinto
Um ser que existe, vive e que palpita
Ao magoar-se a carne, impreca e grita
Se o mal me defrontra, não consinto
Elevo meu olhar, quando a beleza
Inunda de prazer os meus sentidos
Todos os meus atos são sempre cometidos
Em dimensões que buscam uma grandeza
O espírito e a matéria estão ligados
Numa harmonia sutil e progressiva
Não pode haver razão mais conclusiva
A me julgar um bem-aquinhoado
Se o sofrimento abate-me a jornada
Lições eu colho pelo meu caminho
Em experiências tidas eu alinho
Explicações à morte atormentada
Enquanto a vida educa a inteligência
Dando-me ainda fados bem felizes
Sinto em meus pés a força das raízes
Nos sonhos, o aroma das essências
Não possso, pois,ser justo se aceito
A tese dos que habitam contarfeitos
Um vale só em lágrimas imerso
Pois em que pese a efêmera existência
De males e de bens por incumbência
Nós somos a centelha do Universo...
19/06/1983
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