Quando a tarde ensolarada desfalece
Nas cores transbordantes do descanso
Eu fico na varanda - este remanso,
Pensando em coisas que jamais se esquece
O horizonte azul ao longe me cativa
Numa saudade de amor à natureza
Que aos pouco vai morrendo na certeza
De que amanhã de novo será rediviva.
A mansidão do mar é um sentimento
Que inunda a minha alma de conforto
A praia tão longuínqua é o meu porto
Onde atraco silente o meu momento.
Eu fico agradecendo à vida
Que oferece ao mundo essa beleza
Tão simples, e de tão clara singeleza
A embalar-me a vista enternecida
Deste poeta da vida e da verdade
Cuja única e sincera ansiedade
Na mansa espera de que se faz guarida
É um sussurrar contínuo de alegria
Ao defrontar-se com tanta loucania
E proclamar que o belo e o verdadeiro
São os momentos de paz e harmonia...
02/01/1981
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