Araras - Petropolis 20/02/1956
Adeus natura, adeus belas paisagens,
Adeus manhãs de sol cheias de flores
Adeus aos dias desses meus amores
Por essas lindas e divinais paragens.
Adeus página, viva de alegria
Que desde a infância escrevo na minha'alma
Aqui sinto o frescor da brisa calma
Que de perfume envolve as cercanias
Há nomes nossos pelas cicatrizes
Saudosas que nas arvores gravamos
Os sonhos revestem-se de belos matizes
Aquela arvore grande e venerada
A nossa casa - em torno-os flamboyants
As duas alvas redes nas varandas
O banho na piscina nas manhãs...
Quantos folguedos quantas loucanias
Que belos tempos sempre de Verão
E já se estendem novas simpatias
Nos peraltinhas desta geração...
Cresce a familia - agora a casa cheia
De estritentes risos na manhã
É a passarada nova que gorgeia
E o meio é proprio para o seu afã
Agora então é que amo estas paragens
Com toda sua vida e sua cor
Há nesta casa e há nestas paisagens
O que de mais lindo existe sobre o amor
Hoje há crianças, risos, há flores
Neste recanto de festa e de ternura
Jamais a minha alma foi tão pura
E o meu coração viu mais amores...
E, no entanto é breve o encantamento
Que todo ano Deus nos propicia
Uma saudade já se faz tormento
Na alma pelo derradeiro dia...
Hojé,à noitinha,com o olhar tristonho
Dou meu ultimo adeus a este recanto
Gravo nos olhos a expressão de sonho
Calo no peito as vozes do meu pranto
Adeus página viva de alegrias
Que desde a infância escrevo na minh'alma
Adeus manhãs de sol, orvalho, flores!...
Adeus aos dias desses meus amores!...
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