domingo, 23 de maio de 2010

Flumen Vitae

Sou como um rio que passa
Pela vida a versejar
Escorro em leito sereno
Não tenho pressa de chegar
Sei que o destino é ameno
Se souber me conduzir
Deixo que Deus me conduza
Ao merecido porvir.

Nasci da fonte escondida
Na escuridão da floresta
O mato em deu guarida
O sol encheu-se de festa.

Desci dos rochedos distantes
Uni-me a vários irmãos
Os afluentes são rios
Que na vida dão-se as mãos...

Sou barrento e cristalino
Sou ancião, fui menino
Um dia vou terminar,
Prossigo pois meu destino
Em meu leito me confino
E me deixo desligar...
Brotei do fundo da terra
Um dia Deus me desterra
Na imensidão do meu mar...

Agosto, 1983

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