Sou como um rio que passa
Pela vida a versejar
Escorro em leito sereno
Não tenho pressa de chegar
Sei que o destino é ameno
Se souber me conduzir
Deixo que Deus me conduza
Ao merecido porvir.
Nasci da fonte escondida
Na escuridão da floresta
O mato em deu guarida
O sol encheu-se de festa.
Desci dos rochedos distantes
Uni-me a vários irmãos
Os afluentes são rios
Que na vida dão-se as mãos...
Sou barrento e cristalino
Sou ancião, fui menino
Um dia vou terminar,
Prossigo pois meu destino
Em meu leito me confino
E me deixo desligar...
Brotei do fundo da terra
Um dia Deus me desterra
Na imensidão do meu mar...
Agosto, 1983
Nenhum comentário:
Postar um comentário