Estou com 46 anos. Faço hoje.
Quarenta e seis não é pouco, mas está leve
Não sei se a vida vais ser longa
O que importa a mim, é que se serve...
Uma porção de vezes fui a fossa,
Não faz mal, já não me lembro delas
Prefiro recordar coisas belas
Pois uma porção de vezes fui a elas...
Olho prá traz e digo: foi bacana?
Pode até ser que não - mas eu gostei
Foi esse jeito de ser, que encontrei
O condicionamento pobre de ser rei...
Sigo o caminho além, no rumo a Morte
Que é a coisa mais fatal e verdadeira
Não há razão qualquer prá tremedeira
Se sou juiz de como me comporte
Há quem me diga que, talvez, a gente
Tenha alguns regressos novamente
A este vale de lágrimas azuis
Temos de cumprir, já está assente
O inarredável destino conseqüente
Que a Mão Sabia e Suprema nos conduz
Não temo,pois,irmãos,vamos em frente...
Regressos há? Não sei, mas a verdade
É que eu sinto uma necessidade
De acreditar que alguém estará presente,
Deitando absoluta Luz eu lhes confesso
Não só na morte, na vida ou no regresso
Mas na verdade de tudo eternamente...
13/04/1971
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