segunda-feira, 25 de outubro de 2010

POEMA AO TEMPO

Chegou enfim o desejado filho
Uma mimosa e linda criatura
A Mãe ganhou uma expressão mais pura
Nos olhares do pai, há um novo brilho

Na casa tudo é Deus, é alegria,
Há um reinado de amor em cada canto
Ao pequenino ser, com seu encanto,
Voltam-se olhares, sempre em loucania

Chega, mais tarde, o tempo indiferente
Vem, depois, mais um e outro rebento
Aqueles pais, sempre em contentamento
Viviam venturosos seu presente

Prossegue o tempo pontual, constante,
Em cada um, marcado nova idade
E há sempre aquela doce ansiedade
De ver-se filho moço, exuberante

Os planos da jornada são traçados
Que sonhos se acalentam no porvir!
Em cada coração há um fremir
Pelos momentos que serão chegados

Caminha o tempo pelo sua estrada
Marcando uma jornada pela idade
Aqueles que já foram mocidade,
Hoje são têmpera, que foi formada

Naqueles pais que o trouxeram à vida
Há uma satisfação, um encantamento
É sempre bom aquele bom momento
De ter-se uma familia reunida

O tempo, no entanto, é quem pressente
Que dentro do olhar daqueles pais
Há algo que os faz sofrer demais,
Para ser visto por aquela gente

E o passado, atrás, já bem distante...
Vai repassando a dor de uma saudade,
Marcando a cor serena da verdade,
Que o destino tem ao seu talante.
A fortuna maior de uma velhice
É recordar-se a própria mocidade...


Maio 26, 1954

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