À Nélia
Tenho sentido, amor, sem o notares
Que vens querendo algo descobrir
Há uma doce angústia em teus olhares
Há uma srena busca em teu sentir
Parece-me que queres de minha alma
O âmago profundo do meu ser
Quando me fitas tão serena e calma
Quantas perguntas sabes me fazer
Não é preciso, amor, que tu me digas
Que queres discernir minha afeição
As tuas próprias confissões amigas
Muito me falam do teu coração
Como é tão lindo o amor que tu cultivas
Na dúvida gentil com que me amas
Sabendo-se tão teu, inda reclamas
Do meu amor nas expressões mais vivas
Pois vou te dar, amor de minha vida,
Mais uma expressão do meu afeto
O coração que é teu, sendo inquieto
Revela uma expresssão enternecida
O meu amor por ti é como o tempo
É grande, insuperável, verdadeiro
Não há momento final na própria vida
Nem a própria morte torna derradeiro
O meu amor por ti é a própria vida
É tudo prá mim, minha querida
É tudo que tu és e sabes ser
Se algum dia o meu amor morrer
Não acredites no mundo, nem na vida,
Nem no próprio tempo podes crer
Pois ele é tão real dentro em meu ser
Que eu não creio em ilusão perdida
Se algum dia o meu amor morrer
Tudo que é luz na terra é despedida
Tudo que é vida já se fez viver...
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