À Maria Lúcia Braga Nabuco
Algum pedaço de treva que encobria
O teu coraçãozinho de criança
Toldou-te a alma de desesperança...
De um amor de mãe que tanto merecias...
Talvez errando na experiência
Da vida que tão pouco conhecias
Julgavas, quando moça, que sabias
Ser orfã de mãe, sem existência...
Carente de afeto e de carinho
Não vias a verdade tão silente
Que a tua mãe guardava docemente
Desde o primeiro dia do teu ninho...
Depois de muitos anos, quis a vida
Que fosse eu o imerecido arcanjo
A te dizer - e a isto me constranjo
Que estavas totalmente empedernida
Pois a oração que eu li no santuário
Gravada com amor e piedade
É uma prece que tem tua idade
E está pousada perto do sacrário...
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Recebe, pois Maria Lúcia, filha
A luz que vem de tua mãe querida
A reabrir-te o coração e a vida
Por uma nova e iluminada trilha...
Fica sabendo pela Mãe Divina
Uma verdade certa e cristalina
Que pelo mundo deve ser cantada:
Todas a s mães da gente são Marias
Numa douçura de amor de tantos dias
Que a própria Fé as faz eternizadas...
Algumas são amadas ou havidas...
Há até aquelas, que são esquecidas...
Mas nenhuma deixou de ser sagrada...
Fevereiro. 1979
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