À Vera, minha irmã.
Sei que são muitas as cruéis agruras
Por que tu passas neste transe, agora
O silêncio na dor com que torturas
Este teu pobre coração, que chora...
Teu desespero de amor às criaturas
Às quais te dedicaste tanto outrora
Faz-nos pensar que tudo foi-se embora
E tu ficaste só na desventura...
Pensas que a vida terminou o caminho
Que te levaram as aves do teu ninho
É tudo que era teu, fez-se perder
Já crês até que as forças do teu sangue
Se transformaram em saudade exangue
Naquelas que teu ventre fez nascer...
Contudo, saibas que na tua trilha
A luz que agora quase não rebrilha
Guarda um calor intenso a te aquecer...
Jamais morreu num coração de filha
O amor que prende, o amor que maravilha
Que o próprio Criador fez florecer!...
1956
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