Venha a profundidade do Universo
Resgue-se a treva escura nos espaços
Alterem-se os ritmos nos compassos
Que envolvem o mistério eterno, imenso
Venha o momento perpétuo da verdade,
Quando cintilar a luz da vida
Egressa da matéria empedernida,
Dilacerada em eterna claridade.
Da treva funda, escura, indevassada,
A energia etérea apercebida
Emergirá em luz incandecida
No dealbar da límpida alvorada...
Verá então o mundo estarrecido
A outra dimensão no despedaço
Da matéria tragada pelo espaço
E pelo tempo eterno e desmedido
Do mundo que era então desconhecido!...
Dez. 1980
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