Como são raras as almas verdadeiras
Nas quais confiaria um coração
Percebo, hoje em dia, com emoção
Em sentença final e derradeira
Que muito me magoa o coração
Uma verdade certa e traiçoeira
Que por muito tempo eu não percebera
Mas que hoje me desperta com razão
Por quantas vezes havia-me contrito
Ao acreditar em todos, cada um
Jamais tivera em mim motivo algum
Qualquer suspeita, qualquer gesto aflito
Hoje, contudo, eu me penitencio
Por uma boa-fé que sempre tive
Em amargas ilusões eu me detive
Porque cri demais, em demasia
O fato é que agora sou astuto
Esse meu coração ficou arguto
E não pretende mais desilusão
Não me embalarei mais docemente
Por falsas amizades envolventes
Que queiram conquistar meu coração.
Eu doravante seguirei em frente
E não mais olharei tão facilmente
Para o que tenta apertar-me a mão
Uma verdade só, eu tenho em mente
É que nem todo ser infelizemente
Posso considerar um meu irmão...
Janeiro 10, 1981
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