A cada centenário de existência
Uma multidão de seres acontece
Nasce,resiste,existe, e após falece
Em vã e milenar experiência
A quem se queda a meditar na vida
Não há-que negar, mergulha na carência
De uma palavra de grande consistência
Que lhe socorra a dúvida sentida -
Onde encontrar a fé que assegura
Toda razão de estranha tessitura
Urdida numa indecifrável lei?
Há os que dizem que saio desta vida
E a ela voltarei em nova lida
Até cumprir deveres que me dei
Outros afirmam que não mais regresso
E noutra dimensão então ingresso
Onde merecimentos colherei
Por fim há os que dizem que a existência
É algo sem final, sem conseqüencia
Que se transforma em pó e nada mais
De tudo me resulta uma verdade
A toda esta sutil ansiedade
Que ao mais cético que seja, alcalmará:
Um dia, não se tema, nem se importe
Uma força Maior muito mais forte
Sobre a verdade eterna falará...
E no silêncio da resposta fria
Da imensa multidão que se angustia
Por se sentir tão insegura assim...
Há-de emergir, porque não há saída,
A verdadeira prece para Vida:
"Oh grande Deus que estais dentro de mim!...
15 de março de 1983
Nenhum comentário:
Postar um comentário