Muito obrigado, meu Deus, por estas graças
Que derramaste sobre o coração.
Transformo em flores toda emoção
Mesmo que venha em forma de desgraças.
Ser-se poeta é bem aventurança
Que só o Criador pode outorgar
Bendita seja aura de bonança
Que faz a tempestade serenar
Houve um poeta que disse por aí
Frase memorável por dizê-la
"É preciso ter um caos dentro de si
Para fazer nascer uma estrela"...
Ás vezes me pergunto docemente
Que terei feito para merecer
Tão grande inspiração que vem silente
Nas noites em que passo a espairecer.
És tu acaso, Deus quem me ispiras?
Fluentes impressões de tal beleza!
A mim está cativando esta certeza
Que espero a outro poeta não transfiras.
A sensação de amor e de vertigem
Transcende de tal forma a existência
Que a única e profunda conseqüência
É que é divina mesmo a sua origem
Dize-me Deus, qual o meu destino
Que devo fazer por merecê-lo
Fazer um verso apenas por fazê-lo
É muito pouco para um dom divino
Eu tive um mestre em minha juventude
Que me dissera haveres me doado
Este pendor tão belo e abençoado
E desta forma, Deus, tenho descrito
As doces expressões que me comovem
descem dos céus as chuvas que me chovem
Em cânticos sutis de tom contrito
Inundações contínuas de ternura
Descem fluindo em rios cristalinos
Poemas, versos, cançonetas, hinos
Todos derramo em hautos de ventura
O versejar a mim é o bastante
Para trazer-me esta felicidade
Contudo sinto uma necessidade
De descobrir porque sou versejante
Aguardo, pois, meu Deus, que porventura,
Se algum dia assim puder ser feito
Retires estas flores do meu peito
E cerres esta frágil tessitura
Porque meu coração, qual passarinho
Tem tanto esvoaçado no infinito...
O firmamento azul é tão bonito...
Que ele á capaz de não tornar ao ninho...
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